Capítulo 13

Geologia de Blumenau


Era uma pedra sem denominação e propriedades a qual na simplicidade, encravada entremeio ao barranco aberto pelo trator que através dos olhos da Ciência Geológica, revelou-se rica em saberes. Mostra uma das páginas da história do Planeta Terra. Por meio da leitura desta pedra é possível obter informações a respeito das condições ambientais que compunham a Terra quando ainda era um planeta muito jovem e sobre os eventos que se sucederam e vieram a formar a vida, os diversos relevos que figuram na superfície terrestre, os solos e os recursos minerais encontrados no subsolo.

No intento de ampliar os estudos pela busca de maiores leituras a respeito da constituição geológica da Terra, é possível a obtenção direta de informações através de escavações e perfurações na superfície terrestre e, ainda, de forma indireta sobre a propagação das ondas sísmicas.
Diante do encantamento proporcionado pela Geologia, a simples pedra deixou de ser pedra e passou a ser chamada de rocha cujo interior e os fragmentos portam pequenos capítulos de informações da história geológica da Terra e do Universo.
Em Blumenau encontram-se dois grupos de rochas muito antigas, o Complexo Granulítico de Santa Catarina, ao Norte do município, de idade Arqueano-Paleoproterozóico (CPRM, 2006), isto é, formado entre 3,8 e 1,6 bilhões de anos, e o Grupo Itajaí, ao Sul, de idade Neoproterozóico-Cambriano (CPRM, 2006), formado entre 1 bilhão e 500 milhões de anos atrás.

O contato das duas litologias se dá praticamente no centro geográfico do município onde se encontra um falhamento geológico transcurrente disposto no sentido Leste-Oeste. Expressa-se em relevos de mares de morros arrendodados de topos arqueados e separados por terrenos planoaluvionares. Ali afloram os granulitos do Complexo Granulítico de Santa Catarina.
O relevo é suavizado e os vales assumem a forma de "U" aberto, formando planícies com centenas de metros de largura, como as do ribeirão Itoupava que para Aumond (2005), constituem áreas próprias para expansão urbana.
Ao Sul do município, o relevo é muito movimentado, com cristas alongadas e aguçadas, vales profundos e apertados em forma de "V", apresenta planícies fluviais estreitas, como ocorre no vale do Ribeirão Garcia. O Grupo Itajaí, aí presente, é representado por associações de rochas vulcano-sedimentares, com predominância de conglomerados e espessos pacotes de arenitos finos e folhelhos (ardósias).

Durante o Período Arqueano, a vida iniciou-se na forma de organismos unicelulares não nucleados (chamados procariontes): bactérias filamentosas parecidas com as atuais. As mais antigas foram registradas em rochas do Oeste da Austrália, com 3.465 milhões de anos (SCHOPF, 1993).
A maioria dos substratos moles do Arqueano (areia e lama) era coberta por um tapete contínuo destes microrganismos. Colônias de bactérias fotossintéticas chamadas de estromatólitos cobriam o substrato nos litorais, formando os primeiros recifes. Tais colônias foram encontradas fossilizadas em rochas da Austrália e África do Sul.
Começaram a desaparecer no Proterozóico e, atualmente, não são comuns. Os primeiros continentes surgiram no oceano primordial do Arqueano, por erupções vulcânicas. A Terra recebia muito calor solar e a atividade vulcânica era consideravelmente maior que a atual. A atmosfera era rica em dióxido de carbono e pobre em oxigênio.
Durante o Proterozóico (2,5 - 1,6 bilhões de anos) os continentes começaram a se estabilizar, surgiram os primeiros processos geradores de montanhas. A atmosfera começou a concentrar o gás oxigênio e apareceram os seres eucariontes (unicelulares nucleados). Os primeiros registros de vida multicelular coincidem com o término de um grande evento glacial do Pré-Cambriano. E, no Cambriano, os organismos multicelulares expandiram-se e ocuparam os mares do nosso planeta.
Neste contexto foram geradas as rochas encontradas no município de Blumenau. Rochas do tipo granitos e gnaisses são as mais comuns no Arqueano e Proterozóico, e foram também aqui registradas. Nas rochas Pré-Cambrianas e Cambrianas existentes estão sendo realizadas pesquisas científicas para prospecção de fósseis, ferramentas que podem auxiliar na reconstrução paleoambiental e na compreensão da origem destes substratos.



Escala de tempo geológico em milhões de anos (UNESCO, 2000).






RELEVO DE BLUMENAU


A Terra vista do espaço daria a impressão de ser uma esfera lisa e perfeita com nuances em azul e verde refletidos pelos oceanos e florestas e o branco pelas nuvens. Mas ao olhar de perto se percebe que o Planeta possui uma série de marcas, algumas altas, outras profundas, curtas ou extensas. Estas marcas são formas da superfície terrestre conhecidas por relevo, e conforme os seus formatos podem ser: planícies, planaltos, morros, montanhas, serras e vales. Aliás, é neste último em que se encontra inserida nossa cidade.
Você deve se perguntar como a Terra em sua superfície apresenta tantas diferenças do relevo. Na verdade, são frutos da ação de duas grandes forças; as internas, capazes de elevar e construir picos, serras e planaltos e as externas que moldam os relevos através da força dos ventos que transportam o pó do solo, das águas como já dizia o ditado "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", que levam o barro nas enxurradas e as rochas que se fragilizam (enfraquecem) com o calor do Sol ao dia e o frio das noites de inverno.
Portanto, foi graças principalmente, as forças externas que agiram em nossa região esculpindo nosso vale, através das chuvas que moldaram as montanhas e as águas ancestrais do rio que correram por aqui durante milhares de anos, cujo esforço das forças externas criou uma região na qual o relevo é formado por paisagens bastante variadas e desiguais, algumas de terreno plano, outras de altitudes elevadas.

Entre as formas de relevos mais comuns e conhecidas em nossa região podemos destacar:

As Planícies Centrais: Apresenta terrenos planos que se formaram a partir do depósito de sedimentos provenientes do desgaste de montanhas e áreas elevadas como planaltos. Possuem pequenas variações semelhantes a leves ondulações as quais são pouco inclinadas e acidentadas. Em nossa região as planícies localizam-se próximas à porção central do município junto ao Rio Itajaí-Açu e todos demais afluentes que fazem parte da nossa bacia hidrográfica, sendo que estas têm altitudes que variam entre 0 (zero) metro (nível do mar) a 100 metros (acima do nível do mar).

Os Planaltos: Estes são formas de relevos situados a altitudes que, em nossa região, variam entre 100 a 300 metros e, devido ao seu tamanho e tipo de rocha, sofreram a constante ação das forças externas da natureza que moldaram seus topos em terrenos planos, pouco inclinados e acidentados.

As Áreas Montanhosas muito presentes na região do município de Blumenau são formas de relevo elevadas. Elas se figuram como montes, morros e colinas, com altitudes acima dos 300 metros, com encostas íngremes e o topo em forma de cume.

Neste perfil longitudinal que corta o município de Norte a Sul visualizam-se as três formas predominantes de relevo de Blumenau.



Editado para a Obra - Fonte: SEPLAN - Secretaria Municipal de Planejamento Urbano



Você deve ter observado que nos relevos anteriormente descritos se mencionou a altitude, assim, é importante lembrar que a medida tem início ao nível do mar até o cume, ou seja, o ponto mais alto.


Editado para a Obra - Fonte: SEPLAN - Secretaria Municipal de Planejamento Urbano




Relevos de Blumenau - Início do século XX.
Acervo: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva



O mapa ao lado representa as formas dos relevos existentes no município de Blumenau e, por isto, é conhecido por Mapa de Morfologia. Assim, observado nos sentidos de Sul a Norte são perceptíveis quatro diferentes espaços com suas próprias características:

1. As serras, ao Sul, limitam o município com Guabiruba, Gaspar e Indaial. Estas, por sua vez, ainda guardam restos da Mata Atlântica, onde o relevo acidentando impede uma maior ocupação humana na região;

2. A área da Bacia do Rio Itajaí-Açu, na qual ocorre um intenso processo de urbanização com vastas redes de ruas e avenidas, moradias, prédios residenciais e comerciais, indústrias e serviços essenciais;

3. Uma estreita faixa de divisão de águas, entre as bacias do Itajaí-Açu e do Massaranduba, chamada de Serra da Vila Itoupava;

4. A área do Rio Massaranduba, que pertence a Bacia do Rio Itapocu.

Em Blumenau também são encontradas outras formas de relevo, como as Serras. Estas são superfícies de terreno acidentado com vertentes íngremes, com pequenas planícies, morros alongados e ondulados cujas altitudes ultrapassam os 600 metros em relação ao nível do mar.

Três serras fazem parte da paisagem de Blumenau, duas localizadas na Região Norte do município, Serra do Selke, na divisa de Blumenau com Pomerode e a Serra da Carolina, divisa de Blumenau com Massaranduba. E na Região Sul está a Serra do Itajaí, divisa de Blumenau com Guabiruba.



Editado para a Obra - Fonte: SEPLAN - Secretaria Municipal de Planejamento Urbano



Serra do Itajaí


A Serra do Itajaí é formada por um imenso conjunto de montanhas e encostas de várias escarpas que se dispõem nos sentidos de Nordeste a Sudoeste e, por este motivo, forma uma barreira natural que age como divisor de águas dos rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim.
No trecho que se estende no sentido sudoeste na Região Sul do município de Gaspar, onde faz divisa com o município de Guabiruba, recebe um nome diferenciado, é conhecida por Serra da Sibéria. Alguns dos pontos mais elevados apresentam 810 metros acima do nível do mar e caracteriza-se por apresentar vertentes íngremes.
Entre os municípios de Blumenau e Botuverá, a Serra do Itajaí é uma faixa com aproximadamente 28 quilômetros de largura e nesta porção da serra localizam-se: o morro do Schweinwnrucken; o Morro do Gaspar Alto, a 3 quilômetros distantes de Blumenau; o Morro do Spitzkopf; o Morro do Carneiro Branco; o Morro do Santo Antônio e outros bastante elevados que até o presente não receberam um nome próprio.







Editado para a Obra - Fonte: SEPLAN - Secretaria Municipal de Planejamento Urbano




Atividades Propostas


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