Capítulo 2                                                                              

A formação da gente blumenauense: Cultura democrática

 

Observe no desenho os grupos étnicos.

Você já percebeu a diferença física dos seus colegas de trabalho?

O grupo social de que você faz parte é formado por pessoas de diversas etnias*.

Na sua rua, na escola, na comunidade e no  bairro você tem contanto com pessoas que vieram de diferentes lugares.

A formação da população brasileira e, igualmente, a formação da gente blumenauense é composta de descendentes* de índios, europeus, africanos, asiáticos.  Pessoas que por motivos diversos deixaram o lugar onde nasceram em busca de outros espaços e oportunidades. Na maioria das vezes, vieram para  Blumenau, aos seus bairros em busca de empregos e melhores condições, reconstruindo aqui suas vidas. A essa movimentação das pessoas dá-se o nome de migração*.

 

 

 

A gente blumenauense, já, desde as primeiras décadas do século XX, deixou de ser composta por pessoas de descendência predominantemente alemã. “Atualmente, ao afirmar que Blumenau é uma cidade germânica,  excluem-se todos os demais cidadãos que nada tem de descendência alemã e que em nada se sentem afeitos a tais tradições (estes desconhecem o idioma alemão, os hábitos alimentares alemães, não apresentam preferência pela música alemã e até mesmo discordam do conceito de ´operosidade´ atribuído aos blumenauenses), sendo que tais cidadãos preenchem mais da metade da população blumenauense, ou seja, a sua grande maioria”.[1] O constante fluxo de pessoas para a região, vindas de diversas partes da Europa desde os tempos da colonização; o contanto destes imigrantes, como os brasileiros, já estabelecidos; com todo o processo de nacionalização imposta pelo Estado brasileiro nas décadas de mil novecentos e trinta e quarenta, e a influência norte-americana, após a vitória na Segunda Guerra Mundial, fez com que se mudassem consideravelmente os hábitos alimentares, as maneiras de se vestirem, os trajetos, as expressões lingüísticas, enfim, o jeito de viver das pessoas de Blumenau, criando um mosaico cultural que permanece em permanente transformação, recebendo influências de uma ou outra cultura.

A diversidade cultural é uma característica da gente blumenauense

A diversidade cultural nas mãos das crianças de Blumenau

(Pintura no Parque Foz do Ribeirão Garcia)

(Foto Ricardo Guilherme)


FORMAÇÃO DA GENTE BLUMENAUENSE

 

Os Nativos

 

Ao falarmos de grupos tribais em Santa Catarina,  remetemo-nos aos grupos humanos de caçadores e coletores que por esta região já se estabeleceram por volta de 5000 a. C. Mais tarde, outros grupos humanos de pescadores e coletores se dirigiram para o litoral de Santa Catarina por volta de 3000 a. C. permanecendo até o início da colonização européia no século XIX. Nesta época, o litoral era ocupado por povos indígenas  do grupo lingüístico Tupi-Guarani, denominados de Carijós e que por serem  muito amistosos, foram facilmente dominados, havendo já por volta de 1553, em nosso litoral, nativos deste grupo, catequizados. Esta situação facilitou igualmente seu extermínio, acelerando-se nos século XVII. A exemplo, no ano de “1635 só em Laguna havia 62 embarcações dedicadas à caça ao índio e ao comércio escravista” [2]

 

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Armas e utensílios dos índios do posto Duque de Caxias (muito destes objetos eram apanhados pelos bugreiros durante suas investidas)

Cartela Indígenas: uso e costumes. Doc. 1.9.1.4. Acervo: AHJFS.

 

No interior das florestas e vales, nas encostas e no planalto, viviam os Xoklengs e Kaingangs, do grupo lingüístico Jê, os celebres Tapuias, que desde cedo os portugueses tiveram muitas dificuldades de os submeterem. A princípio, viviam, no planalto, praticando pequena  agricultura e coleta. Na disputa destas tribos pelas terras do planalto, os Xoklengs foram empurrados para as encostas e vales. Com o estabelecimento dos primeiros núcleos, no litoral de Santa Catarina, como São Francisco do Sul, Desterro e Laguna e a ocupação do planalto a partir do caminho das tropas e a fundação de cidades como Lages. Estes nativos ficaram cercados na pequena área de vales e florestas, tendo dificuldade de se adaptar ali de modo integral, desenvolvendo uma vida seminômade de caça e coleta, não conseguindo atingir o estágio da mera agricultura de subsistência. Só construíam abrigos, quando o tempo era de chuva, ou inverno, nas outras épocas, dormiam ao relento sob a copa das árvores.

 

Rancho original dos Xokleng no Posto Indígena Duque de Caxias

Cartela: Indígenas: habitação. Doc. 1.7.3. Acervo: AHJFS

 

 O  objetivo da colonização portuguesa era garantir o domínio desta região de grande interesse dos espanhóis que seguiam ao Rio da Prata. Estes nativos não poderiam figurar como empecilhos ao projeto de efetivação da ocupação das terras meridionais do Brasil. 

Por volta do século XIX, com a Independência do Brasil e a Nova Constituição de 1824 o incentivo à imigração para o Sul se intensificou e, dentro deste contexto,  surgem os primeiros núcleos coloniais. Muitos colonos já sabiam das dificuldades de colonizar essas áreas selvagens, mas o maior medo mesmo era em relação com os nativos. Após alguns encontros “temerosos”, o governo fica convicto que o colono precisa ser amparado, protegido. Com o fim de levar o objetivo  a proteger as colônias das investidas dos nativos, criou-se com a Lei provincial nº28 de 25 de abril de 1836 uma Companhia de Pedestre que tinha a função de proteger os moradores contra os ataques dos nativos, como consta no artigo 1º, parágrafo 4º:

ficão criadas secções de pedestres que terão por objetivo: proteger, auxiliar e defender os moradores de qualquer assalto gentio, malfeitores e fugitivos, perseguindo-os até os seus alojamentos, quilombos ou arranchamentos, fazendo todo o possível por aprehendel-os, e no caso de resistência destruí-los”.[3]

 

Os Nativos nos primeiros tempos da Colônia Blumenau

 

Até os finais do século XVIII, são raros os dados a respeito de ataques de nativos aos colonos, e as escassas notícias deixam de indicar sinais que nos permitem saber qual o grupo tribal responsável pelos ataques. Mas, é realmente com o início da colonização que as referências à presença dos Xokleng começam a se tornar constantes.

 

Os indígenas da região por volta de 1920

Cartela: Indígenas: guerreiros. Doc. 1.2.1.1. Acervo: AHJFS

 

Paliteiro de bugre (Da esquerda para a Direita Ndíli, Gen-ndou, Côo-vie Cuzung, contemplando sua vítima.).

Cartela: Indígenas: caça. Doc. 1.9.3. Acervo:AHJFS

 

 

Em Blumenau, registraram-se as cenas trágicas que ocorreram, quando um grupo de nativos se aproximou da casa do fundador da Colônia, onde se encontravam alguns colonos. O registro foi feito pelo Professor Ostermann, em carta ao Dr. Blumenau que se encontrava em viagem pela Europa.[4]

Com o crescimento da Colônia e a abertura de novas colônias mais para o interior das matas, diversas expedições foram realizadas em direção ao planalto. Numa dessas expedições realizada em meados de 1868, comandada por Emil Odebrecht, Karl Kleine relata o encontro com os nativos:    

 

“Logo na primeira viagem percebemos que éramos observados pelos índios. Apesar de nunca nos terem atacado, de vez em quando, se faziam ouvir e, por isso todas as noites montávamos guarda, pois não sabíamos se tinham ou não más intenções. Tudo indica que esses índios provinham do Braço do Norte e que sempre regressavam para lá.

Na maioria das vezes eram pequenos grupos de 6 a 8 pessoas, porém, certa vez, a tribo inteira acampou na foz do Braço do Sul. Pudemos distinguir nitidamente as pegados de homens, mulheres e crianças, deixado-as no lado à margem do rio. Lá, ainda se encontravam as suas cabanas, abandonadas no máximo há uns três dias. Haviam derrubado salgueiros junto ao rio, colhido o mel das colméias de abelhas que se encontravam logo atrás das cabanas e vasculhado as árvores apodrecidas à procura de larvas, que eram um delicioso petisco. Estranhamente, os bugres ou botocudos, como são denominados os índios locais, mesmo perseguidos, quase nunca apagavam os seus rastros. Isto dificultou muito o nosso trabalho, pois sempre precisávamos estar alertas”.[5]

 

Aspectos da morada dos nativos na década de 1930.

Cartela: Indígenas: habitação. Doc. 1.7.4. Acervo: AHJFS.

 

Outros contatos com os nativos ocorreram e mortes de colonos continuavam sendo registradas, até que em 23 de agosto de 1879, as Companhias de Pedestres, criadas em 1836 foram extintas pelo Império, por questões econômicas. Na Colônia Blumenau a Companhia de Pedestres era comandada por Frederico Deeke.

 

Os Batedores do Mato

 

Como medida preventiva, o governo da província de Santa Catarina agiu sozinho e criou uma Companhia de “Batedores do Mato”, também chamado de “Patrulha de Bugreiros”, cujo objetivo era afugentar os bugres”.[6] A partir de então, o único meio para tentar pacificar os índios foi o facão, a pistola e a espingarda.

Importante líder deste grupo de batedores foi Martinho Bugreiro, que se tornou famoso pela audácia e requinte de crueldade, sendo comentada inclusIve pelo próprio governo da Província. Para legitimar a ação dos bugreiros, criou-se um sistema ideológico no qual os índios eram representados como vadios, assassinos e ladrões, enquanto o bugreiro, passa a ser idolatrado pela sociedade, aparecendo como herói, capaz de restabelecer a paz. O apoio a esta situação fica evidenciada nos jornais da época, como O Novidade de Itajaí que em 1904 descreve que após o ataque aos nativos no qual o chefe da expedição José Bento foi morto, declara ter sido este “o melhor de nossos caçadores de bugres”. [7]

 

Os Batedores de Mato – Bugreiros

Cartela: Indígenas: bugreiros. Doc. 1.10.1. Acervo: AHJFS

 

Com os constantes ataques de bugres em toda a região no início do século XX, provocando mortes e prejuízos aos colonos, percebeu-se a necessidade de intensificar o combate aos nativos, com a organização de expedições destinadas a proteger as comunidades. Algumas dessas expedições nunca mais retornaram.

Outra situação que passa a ser corriqueira no município de Blumenau, relacionada à convivência entre os nativos e os colonos e que causa grande polêmica, entre a população, dividindo opiniões, é a questão de ser conveniente ou não, famílias passarem a adotar crianças nativas para viverem aqui na cidade. O médico Hugo Gensch de Blumenau, após ter adotado uma nativa Xokleng de nome Koricran com 18 anos, recebeu duras críticas no jornal local “Der Urwaldsbote”. O médico se defendeu por outro jornal local, o “Blumenauer Zeitung” “dizendo que a adoção dessas crianças é uma prova de amor humanitário”. [8] Dr. Hugo Gensch, com sua experiência jornalística, por determinado período,  dedicou-se à causa da pacificação dos índios, declarando sempre ser contrário aos métodos utilizados pra proteger os colonos dos repetidos ataques dos  nativos. Sua dedicação era tanta, que em 1908 escreveu um livro intitulado “Die Erziehung eines Indianerkindes” no qual relata sua experiência com a educação de Koricran, elaborando, com  auxílio, um vocabulário dos nativos.     

 

O médico Hugo Gensch e sua família junto com a Índia Koricran adotada em Blumenau

Cartela: Indígenas: Adoção. Doc. 1.12.1. Acervo: AHJFS.

 

Somente em 1910, foi criado um órgão denominado Serviço de Proteção ao Índio – SPI – com o fim de pacificarem nativos e colonos, conseguindo nos primeiros tempos, salvar muitas tribos do extermínio total. 

A Colônia e depois o município de Blumenau e adjacências “de 1852 a 1914, sofreram 61 ataques de bugres, botocudos e coroados, que mataram 41 pessoas e feriram 22.[9]

 

Visita do governador de Santa Catarina Adolpho Konder ao posto indígena Duque de Caxias em 1926 (Observe ao fundo no brasão: Serviço de Proteção do Índio – SPI)

Cartela: Indígenas: Visitas. Doc. 1.11.4. Acervo: AHJFS

 

Ocorre finalmente em 1914, a pacificação dos indígenas, amenizando-se os conflitos que marcaram o relacionamento entre estes e os colonos desde a fundação de Blumenau, sendo Eduardo Lima e Silva Hoerthann o grande responsável pela pacificação. Era o responsável a forçar os nativos a assimilar os elementos culturais do homem branco. Após a pacificação, podemos considerar que se iniciou o período mais trágico para os nativos, pois o contato com os brancos propiciou a contaminação por doenças. De 1914 a 1932, cerca de dois terços dos índios haviam falecido com as epidemias.

Indígenas e o pacificador Eduardo Lima e Silva Hoerthann (à direita de chapéu)

Cartela: Indígenas: Eduardo L. S. Hoerthann. Doc. 1.1.9. Acervo: AHJFS

 

A demarcação da Reserva Duque de Caxias, ocorreu em 1926, quando o Governo do estado de Santa Catarina repassou aos indígenas pacificados 141.565.866,02 m2, com a garantia de que Eduardo os faria sustentar-se por meio do trabalho agrícola – fato não ocorrido.

Depois de 1930, os Xokleng começaram a depender cada vez mais da sociedade regional. (...). Eles tornaram-se sedentários e mudaram sua dieta alimentar, necessitando dinheiro para comprar fumo, cachaça e bugigangas; os índios passaram a sobreviver da melhor maneira que podiam, mas à margem do sistema regional”. [10]

 

 

Índios em frente da escola do Posto Indígena Duque de Caxias

Cartela: Indígenas: Educação. Doc. 1.5.2. Acervo: AHJFS

 

 

Bugreiros servidores dos postos de atração do Alto Rio Krauel

Cartela Indígenas e bugreiros. Doc. 1.10.7  Acervo: AHJFS

 

Os nativos na atualidade

 

Hoje, estão os integrantes dos grupos tribais da sociedade mais preparados para aproveitar as diversas oportunidades do mundo moderno.

Maria do Carmo Goulart em sua obra acerca da situação dos indígenas da Reserva Duque de Caxias,  na atualidade,  nos provoca profunda reflexão ao declarar: “Os índios de hoje são vistos como civilizados como qualquer um de nós. Em Ibirama (Reserva Duque de Caxias) eles já não vivem em ocas mas em casas de madeira,; não se vestem com penas, mas com roupas como nós; usam as ferramentas que nós usamos; alimentam-se com os mesmos alimentos que nos alimentamos. Eles não vivem no mato ou na selva, vivem em pequenos grupos, pequenas vilas.  Por isso o índio de hoje pode ser considerado como nosso vizinho”.[11]

 

Vista parcial da Reserva Indígena “Duque de Caxias” em 29 de maio de 1985.

Cartela: Indígenas. Doc. 1.11.18.  Acervo: AHJFS. 

 

Ainda podemos perceber entre os que vivem na Reserva Indígena Duque de Caxias que muitos dos interesses da sociedade tribal e da nacional são contrários, enquanto que em poucas outras questões existem sensíveis concordâncias.

“A comunidade indígena da Reserva Duque de Caxias (...) preocupada com a ameaça de extinção de sua língua e perda acelerada de suas tradições, vem realizando um trabalho de resgate da história, do artesanato, dos mitos e das festas. E neste contexto discute-se também o nome do grupo. Atualmente, são nacional e internacionalmente conhecidos como Xokleng, mas já foram denominados Aweikoma, Kaingang e botucudos. Todos os nomes lhes foram dados pelos não índios. (...). No processo de resgate dos mitos e histórias, têm surgido alguns nomes, entre os quais Laklãnõ está sendo cogitado como possível autodenominação do grupo”. [12]

 

 


FORMAÇÃO DA GENTE BLUMENAUENSE

 

Os Negros

 

O projeto de colonização de Blumenau já se estruturou numa lógica contraria à escravidão. O Dr. Blumenau deixa claro, em sua proposta de colonização, apresentada à Assembléia Provincial de Santa Catarina, em 1848 que nunca quis saber de escravos na sua colônia. Já no artigo 12 ele escrevia: “Fica desde já e para sempre proibida a entrada de escravos nas terras concedidas pelo governo à Companhia a seus colonos, para se empregarem em serviço de qualquer natureza nessas terras, ou em serviços domésticos, proibição esta que se estende às aquisições de terras devolutas nacionais que de futuro houverem de fazer a Companhia e aos colonos e que ficam autorizados à companhia a impor, conformando-se as circunstancias especiais, nas terras particulares, que comprar ou adquirir por qualquer título. Nunca poderão entrar escravos na Companhia, nem das pessoas estabelecidas nas terras concedidas para o governo a Companhia e aos colonos, e nenhum proprietário de qualquer parcela desses terrenos pode ficar, ao mesmo tempo, dono de escravos.”

 

 

Família de negros residentes em Blumenau na década de 1940.

Acervo: AHJFS.  Cartela: Diversos: favelas: morro da caixa d´água: Farroupilha. Doc. 21.8.1.3d.

 

Enquanto que no artigo 13 ressalva “devia-se marcar um prazo em que nas terras da Companhia ou dos colonos, poderiam demorar-se os escravos de visitantes e das pessoas de que, a negócio a ela forem estabelecer multa aos infratores, se a estada dos escravos excedesse o prazo marcado, ou se eles ocupassem de outros serviços, que não fossem domésticos para o meu senhor ou amo, durante o prazo marcado”. Apesar dessas medidas, dizer que em Blumenau nunca houve escravos, não corresponde à verdade histórica. [13]

 

Negros de Blumenau em jogos de cartas

Acervo: AHJFS. Cartela: Diversos: favelas: morro da caixa d´água: Farroupilha. Doc. 21.8.1.2c. 

 

Para os preparos para a instalação da Colônia, o sócio de Dr. Blumenau, Ferdinand Hackradt, comprou nove escravos. Quando o Dr. Blumenau retornou da Alemanha, onde fora buscar novos colonos, só existiam apenas dois escravos, os outros, ou fugiram, ou foram seduzidos  por outros colonos já estabelecidos na redondeza.

Entretanto fundada a Colônia, nunca mais escravos cativos deram entrada no estabelecimento de Dr. Blumenau e, no intuito de organizar o cotidiano da Colônia, elaborou-se um regulamento que em seu artigo 40 proibia radicalmente a introdução de escravos na mesma. 

 

 

Imagem de moradias de negros em Blumenau na década de 1940.

Acervo: AHJFS.  Cartela: Diversos: favelas: morro da caixa d´água: Farroupilha. Doc. 21.8.1.2d.

    

Mas, tão logo a Colônia foi emancipada em 1880 e criado o município, a situação mudou. José Henrique Flores Filho, de Itajaí, ao tornar-se o primeiro presidente da Câmara Municipal, muda-se para Blumenau em 1883 com escravos, possuindo como doméstica, uma escrava, que morreu tuberculosa. Outro colono alemão estabelecido, antes da chegada de Dr. Blumenau, já por volta de 1846 na região, de nome Peter Wagner possuía alguns escravos. Entre estes, uma escrava de nome Perpétua a quem ele  concedeu liberdade em 1883. Outro escravo solteiro de nome Camilo com 40 anos, Peter Wagner adquiriu de dona Alexandrina Maria da Conceição, de Itajaí, por 600 mil reis em 1882. Esta compra foi escriturada em cartório, documento este exposto, atualmente, no saguão de atendimento do cartório Margarida em Blumenau. Estes são os casos conhecidos, mas, podem ter existido outros, entre 1880 e 1888, ano da abolição da escravatura.

 

 

Família de negros estabelecidos na região de Blumenau

(Acervo AHJFS.)

 

Com o fluxo constante de novos imigrantes e o desenvolvimento do município, outros negros foram aqui se estabelecendo, muitos, destacando-se no cenário econômico e político, como o Vereador Romário da Conceição Badia, eleito em 1959[14].


 

 

“Sumu” – Marcella Rose

Fonte: All Posters – Espanha corpsales@allposters.com

 

 

 

O Dia Nacional da Consciência Negra

 

 

A data de 20 de novembro foi estabelecida pelo projeto de Lei n° 10639 de 09 de janeiro de 2003 como “O Dia Nacional da Consciência Negra” comemorado no Brasil em homenagem a Zumbi dos Palmares. Em Blumenau promovem-se diversas apresentações culturais, palestras e exposições durante toda a semana, no intuito de refletir a contribuição do negro na formação da gente blumenauense.   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


“Bailarinas Africanas” - Upjohn

Fonte: All Posters – Espanha corpsales@allposters.com

 

 

Em 2007 os negros somavam 1,16% da população Blumenauense, totalizando 3042 pessoas e os que se intitulavam pardos chegavam a 3,50%, num total de 9171 pessoas[15].

 

Os negros manifestam sua cultura de diversas maneiras, através de danças, folguedos, produções literárias, gastronomia,  lendas e de outras tantas formas.

A critério de reflexão, apresentamos uma lenda da cultura africana, como parte de um conjunto de manifestações do cotidiano desses povos, que expressam sua visão de mundo:

 

 

            “POR QUE O CACHORRO FOI MORAR COM O HOMEM”?

O cachorro que todos dizem ser o melhor amigo do homem vivia antigamente no meio do mato com seus primos, o chacal e o lobo.

Os três brincavam de correr pelas campinas sem fim, matavam a sede nos riachos e caçavam sempre juntos.

Mas, todos os anos, antes da estação das chuvas, os primos tinham dificuldades para encontrarem o que comer. A vegetação e os rios secavam, fazendo com que os animais da floresta fugissem em busca de outras pastagens.

Um dia, famintos e ofegantes, os três de língua de fora por causa do forte calor, sentaram-se à sombra de uma árvore para tomarem uma decisão.

-Precisamos mandar alguém à aldeia dos homens para apanhar um pouco de fogo – disse o lobo.

- Fogo? – perguntou o Cachorro.

- Para queimar o capim e comer gafanhotos assados – respondeu o chacal com água na boca.

- E quem vai buscar o fogo? – tornou a perguntar o cachorro.

- Você! – Responderam o lobo e o chacal, ao mesmo tempo, apontando para o cão.

De acordo com a tradição africana, o cão, que era o mais novo, não teve outro jeito, pois não podia desobedecer a uma ordem dos mais velhos. Ele ia ter que fazer a cansativa jornada até a aldeia, enquanto o lobo e o chacal ficavam dormindo numa boa.

O cachorro correu até alcançar o cercado de espinhos e paus pontudos que protegia a aldeia do ataque dos leões. Anoitecia e das cabanas saía um cheiro gostoso. O cachorro entrou numa delas e viu uma mulher, dando de comer a uma criança. Cansado, resolveu sentar-se e esperar a mulher se distrair para ele pegar o tição.*

Uma panela de mingau de milho fumegava sobre uma fogueira. Dali, a mulher, sem se importar com a presença do cão, tirava pequenas porções e as passava para uma tigela de barro.

Quando terminou de alimentar o filho, ela raspou o vasilhame e jogou o resto do mingau para o cão. O bicho esfomeado devorou-o todo e adorou. Enquanto comia a criança se aproximou e acariciou o seu pelo. Então, o cão disse para si mesmo:

- Eu é que não volto mais para a floresta. O lobo e o chacal vivem me dando ordens. Aqui não falta comida e as pessoas gostam de mim. De hoje em diante vou morar com os homens e ajudá-los a tomar conta de suas casas.

E foi assim que o cachorro passou a viver junto aos homens. E é por causa disso que o lobo e o chacal ficam uivando na floresta, chamando pelo primo fujão”. [16]  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FORMAÇÃO DA GENTE BLUMENAUENSE

 

Os Brancos

 

Sempre foi grande a preocupação de Portugal com a insegurança apresentada pelas fronteiras meridionais da Colônia Brasil, requisitadas pelos espanhóis. Para solucionar esta questão os governantes e militares passaram a desenvolver, desde o século XVI, vários projetos buscando povoar esses espaços vazios. Após algumas tentativas frustradas, e com o objetivo de  engrossar a população  nas vilas localizadas no litoral e fundar outras, efetivando a ocupação portuguesa, entre 1748 e 1756, o litoral Sul foi ocupada por imigrantes de origem lusa, açorianos e madeirenses. Estes imigrantes permaneceram somente no litoral, não penetrando para o interior, seguindo os vale, pois além de não serem muitos, eram temerosos com a presença dos índios Xokleng que vagavam pelas matas. No planalto, com a abertura de um caminho que ligava o Rio Grande do Sul a São Paulo, temos, em 1771, a fundação da Vila de Lages intensificando-se, de certo modo, a ocupação destas terras pelos paulistas com o estabelecimento de áreas para a criação de gado e pequenas vilas ao longo do caminho. 

 

Com o estabelecimento do Império, o governo passou a garantir-se no poder, angariando soldados e colonos estrangeiros para compor um novo estrato médio, entre a população escrava e os grandes proprietários. Encarregado de fazer propaganda na Europa, em prol da imigração para o Brasil, foi o secretário de Dona Leopoldina de Habsburgo, esposa do Imperador D. Pedro I, Major Jorge Antônio von Schaeffer. Com sua experiência e habilidade conseguiu conquistar as simpatias dos governantes alemães e introduzir um tipo de pessoas, culturalmente novas  no Brasil, com a fundação em 1824 da Colônia São Leopoldo no Vale do Rio dos Sinos no Rio Grande do Sul e em 1829 com a fundação da Colônia São Pedro de Alcântara com 625 alemães, próxima de Desterro em Santa Catarina. Estas foram as primeiras colônias alemãs em terras brasileiras, mesmo haverem chegado outros alemães isolados  para o Brasil desde o século XVI. 

 

Os fatores determinantes da imigração foram motivos que permitiram pessoas se deslocarem para Santa Catarina e aqui se estabelecerem, formando novas cidades, como Blumenau. Esses fatores podem ser analisados em dois grupos distintos. O primeiro como fatores Atrativos* pelo local em que o imigrante deseja se estabelecer e o segundo, como fatores Repulsivos* do local onde viviam, neste caso, a Europa.

 

Incentivos à Imigração para o Brasil: Fatores Atrativos

 

Leis do Brasil em prol da imigração

 

O  Império fez com que ocorressem inúmeras modificações no que tange à política migratória. No dia 08 de abril de 1823, foram entregues provisões que permitiram conferir terras a agricultores e, a 21 de novembro de 1823, concedeu-se sesmarias a estabelecimentos rurais em Santa Catarina.[17] A seguir fato novo na Constituição promulgada a 25 de março de 1824, foi a admissão de imigrantes estrangeiros não católicos”[18] no Brasil.

 

Convém ver mais de perto os artigos da primeira Constituição Imperial promulgada a 25 de março de 1824, com relação aos imigrantes:

 

Artigo 5: A religião católica permanece como religião oficial, não obstante se permitida a prática de todos os demais credos, sendo seus ofícios divinos realizados em residências ou em local para tal fim destinado especificamente, desde que tais lugares não apresentem o aspecto externo de igreja (torre por exemplo).

Artigo 6 § V: Cidadãos são também os estrangeiros naturalizados, independentemente de sua profissão religiosa.

Artigo 95 § II e III: Estrangeiros naturalizados e pessoas que não professem a religião oficial não podem ser deputados ou senadores.

Artigo 136: Tampouco o poderão ser ministro de estado.

Artigo 179: Assegura ao cidadão a intangibilidade de seus direitos cívicos e políticos, especialmente o direito de expressar seus pensamentos, oralmente ou por escrito, sem estar sujeito a censura (o uso da língua materna pelos imigrados não é com isto restringido). Fica proibida a perseguição por profissão de fé, desde que respeitada a religião oficial. A todos fica assegurada a posse de bens e a liberdade de domicílio é garantida.

Artigo 32: Estabelece o ensino primário livre de taxas. (essa facilidade bem mais tarde veio a ser concretizada, quando o governo começou a se ocupar das escolas).

Artigo 10: contam novas disposições sobre o ensino oficial, assim como algumas referentes a associações religiosas e políticas.

Artigo 11: transfere às Assembléias Provinciais, em conjunto com a Câmara e o governo Imperial, o poder de promover a fundação de Colônias. (Dessa data em diante, as províncias passaram a ter competência para regular a colonização, sendo sucedidas pelos estados da União”.[19]

Outra questão que incentivou consideravelmente a imigração para o Brasil era o direito à cidadania. O imigrante desejava ter a plena posse dos direitos de cidadão, o mais depressa possível, pela naturalização. Lembramos que conforme determinações do governo Alemão, que veremos a seguir, o imigrante decidido a sair do país, perdia sua cidadania e qualquer proteção de seu estado. Para resolver este problema, criou-se a Lei de Naturalização em 23 de Outubro de 1832 que determinava que após quatro de efetiva residência no país o imigrante recebia sua carta de naturalização, pagando à autoridade da Câmara Municipal mais próxima a quantia de 12$800 pelo registro e, nessa ocasião prestava juramento de obediência e fidelidade à Constituição e às leis do país, bem como, que reconhece o Brasil por sua pátria, daquele dia em diante.  Mais tarde, por decreto de 30 de agosto de 1843, reduziu-se o prazo da naturalização de quatro anos para dois. Outras facilidades foram concedidas, exclusivamente. aos colonos da lavoura, pela Lei de Terras devolutas de 18 de setembro de 1853, que determinava que estes poderiam receber sua naturalização mediante simples pedido, antes mesmo de dois anos, se efetivamente adquirissem  e lavrassem terras. 

 

 

Incentivos à Imigração para o Brasil: Fatores Repulsivos

A Situação da Europa

 

O fenômeno das grandes migrações européias se iniciou após as Guerras Napoleônicas (1799-1814), tendo vários motivos contribuído direta ou indiretamente para elas:

-         más colheitas, fome e aumento dos preços,

-         serviço militar compulsório,

-         aumento excepcional da população.

o aumento excepcional da população agravou a situação, quanto à herança da propriedade familiar, pois a legislação vigente determinava que a terra devia ser dividida entre os vários filhos de uma mesma família, desta forma, a propriedade se tornava cada vez mais fragmentada a cada geração, dificultado a produção alimentar, o que reduziu as condições de sobrevivência de grande parte dos pequenos agricultores. As principais causas das primeiras migrações alemães foram portanto, de natureza econômica e social.

Quando estava decidido a emigrar, o camponês deparava-se com diversas determinações, sendo obrigado a pedir licença de saída às autoridades de sua terra para obter o passaporte, além de pagar um imposto adicional. Feito isto, seguia outras orientações:

-         “Em hipótese alguma, os menores devem permanecer na Alemanha, após a emigração dos pais,

-         Só podem emigrar os homens isentos de suas obrigações militares,

-         Ninguém comprometido em processo judicial como réu, ou testemunha pode deixar o território nacional,

-         Antes de obter a licença de saída; o emigrante deve pagar um imposto adicional de 10% sobre os bens que leva ao exterior,

-         Concedida a licença de saída, o imigrante perde sua cidadania e não goza mais da proteção de seu estado que se livra das obrigações de recebê-lo de volta e

-         Corrido o aviso de saída o interessado é forçado a ficar de espera, a fim de que, se tiver credores, esses tenham tempo de reclamar”. [20] 

 

Preocupados com a desordem social,  as autoridades alemães se interessavam pela emigração controlada da gente pobre das localidades superpovoadas. Como a cada dia, o número de interessados em emigrar aumentava, o governo alemão os advertia por decretos, dos perigos de tal investida.

O interesse e o incentivo à imigração por parte de diversos municípios alemães, também se fez perceber em diversos jornais da época, muitos editados exclusivamente para tratar desse assunto como o Jornal Geral da Imigração que em 1852 publicava: “Muitos municípios já não sabem mais como se defender da proletarização. Estão empenhados na procura de capitais, interessados em livrar-se de gente pobre pela imigração”. [21]

 

Muitos imigrantes frente às situações de extrema pobreza e sem uma expectativa de melhora de vida, se deixavam influenciar por agenciadores e suas propagandas sobre a América. Aos interessados em emigrar eram repassadas informações sobre os locais de destino da maioria. Muitas das informações sobre a América chegavam à Alemanha por correspondências de amigos e vizinhos ou publicadas pelos inúmeros almanaques locais e populares. O fenômeno da emigração provocou amplo debate nos mais variados ambientes da época, resultando na publicação de vários livros e panfletos. Alguns abordavam o assunto de modo geral, ou de certas regiões mais especificamente e muitos realizavam propaganda para certas empresas e para projetos de emigração. 


A viagem transatlântica

 

Muitas pessoas passaram a interessar-se pela imigração como forma de trabalho, recrutando passageiros, pois as agências de imigração ganhavam por emigrante embarcado e assim se desenvolveu acirrada concorrência entre elas. Os agentes, armadores, as companhias colonizadoras e hoteleiros se uniam frente à exploração dos interessados a emigrar. Podemos afirmar que o desenvolvimento da navegação alemã ocorreu devido ao fenômeno imigratório, pois todas as firmas marítimas importadoras tinham quotas para negócios relacionados à emigração.  

 

Quadro retratando a partida dos imigrantes da Itália vindo para o Brasil (Obra de Angiolo Tomasi - 1896).

 O original faz parte da coleção da Galeria Nazionale di Arte Moderna, em Roma.

 

Inicialmente as primeiras embarcações com imigrantes que se dirigiam a América, eram veleiros, ainda em 1850 os maiores veleiros alemães tinham de 500 a 600 toneladas, e por volta de 1860 já saiam dos portos de Bremem e Hamburgo veleiros de três mastros com mais de 1000 toneladas, estes com cascos já de ferro, substituindo os feitos de madeira.

 

[olbers.jpg]

Tipo de veleiro em que os primeiros colonizadores chegavam a região

(Fonte: http://familiavoltz.blogspot.com/2009/05/olbers.html). 

 

 

 

 

Com essas embarcações a viagem podia durar de seis semanas a dois ou três meses.  Esta longa duração, adicionada a grande quantidade de pessoas embarcadas, as reduzidas condições de higiene e à falta de provisões de alimentos dificultavam, em muito, as viagens, causando altas taxas de óbitos por doenças como cólera, tifo, resfriados e convulsões,  entre outras.

Entre todos,  estes eram os momentos mais difíceis como podemos perceber em registro de um estudioso: “Como era triste escutar o baque dos corpos dos entes queridos na água do oceano, logo envolvidos pela escuma das ondas revoltadas da esteira do navio. Para muitos, o Brasil ficou como um sonho”. [22] Outro emigrante descreve em seu diário um desses momentos: “(...). Durante a noite o Anjo da morte procurou nosso navio e roubou dentre nós aos seus pais (o serralheiro Simon) uma menina pequena de 5 anos e de cachos louros. A mesma tinha apanhado um resfriado e morrera em conseqüência de convulsões. O pequeno corpo foi costurado em uma lona carregada com carvão de pedra e, ao anoitecer, em todo o silêncio e somente na presença dos marinheiros, sepultado em seu túmulo molhado”[23].

Também em algumas embarcações registrava-se considerável número de nascimentos.

Com a melhoria das condições técnicas de navegação e a introdução da navegação a vapor, a viagem tornou-se bem mais rápida, levando em média de 16 a 17 dias, reduzindo a menos de 1% os casos de mortes a bordo. Em 1847, funda-se a primeira companhia de navegação a vapor em Bremen e em 1856 em Hamburgo lança-se o primeiro vapor da companhia “hapag”.    

 

 

O Deutschland, da Hapag, foi em sua época o maior navio de passageiros do mundo
Foto: cartão postal europeu do início do século XX.

Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/rossini/blucher.htm acessado em 21 de outubro de 2008.

 

 

O dia a dia nas viagens

 

Como nos portos da Europa se reuniam pessoas vindas de diversas regiões após, o embarque, todos se sentiam em condições idênticas, o que de certo modo amenizava as angústias de terem abandonado a terra natal e a insegurança do futuro, na América, e contribuía para a interação e a solidariedade entre os mesmos.

Dentro dos navios o espaço por passageiro era muito limitado, o que aumentou um pouco após novas leis em 1847. Havia regras precisas para manter a ordem no navio, como “no verão e na primavera levantar às seis horas da manhã e no outono e inverno, às sete. Feita a higiene corporal, em condições muito precárias, todos se vestiam, e então, sob ordens do segundo comandante, na divisão dos homens e na das mulheres começava a rotina de arrumar as camas e limpar os quartos. Só depois era feita a chamada para a nomeação dos que iriam buscar o café, sempre cada qual se encarregando de oito ou dez pessoas por vez. A distribuição das três  alimentações diárias e da água racionada ocorria em horas certas, de manhã entre as sete e as oito horas, depois a uma hora da tarde e, à noite, às dezoito horas.

Como alimentos nos navios tinham o toucinho e carne salgada, manteiga, trigo, batatas, chucrute, leguminosas e o indispensável pão duro. Pela manha e pela noite era servido café e chá e aos homens, pela manhã, uma dose de cachaça, para suportarem as dificuldades do dia. 

Quando o tempo estava bom, os passageiros podiam sentar no ´deck´ para respirar ar livre e durante as tempestades e mau tempo, as refeições eram servidas no quarto de dormir.

Proibia-se manusear qualquer tipo de material inflamável devido ao perigo de incêndios, sujeitando-se a ser preso em cadeia no porto de chegada, o infrator”.[24]   

 

 

 

 

 

 

 

A Recepção dos Imigrantes: As portas de Entrada

 

Desembarque de imigrantes europeus no porto de Santos (1905). Foto publicada no livro Lembranças de São Paulo de autoria de João Emílio Gerodetti e Carlos Cornejo.

(Fonte: http://www.valedoparaiba.com/terragente/estudos/Imigracao_italiana01.htm acessado em 24 de outubro de 2008).

 

 

 

Porto de São Francisco do Sul na Província de Santa Catarina

(Fonte: http://blig.ig.com.br/maisleve/files/2009/04/centro-historico-de-sao-francisco-do-sul.jpg)

 

Imigrantes desembarcando no Brasil

(Fonte: blog.cybershark.net/ida/wp-content/imiggenv1.jpg. Acessando em 24 de outubro de 2008).

 

Porto de Santos – uma entrada dos imigrantes que chegavam ao Brasil

(Acervo AHJFS)

 

As principais portas de entrada para os imigrantes no Brasil eram os portos do Rio de Janeiro e de Santos. Após aportarem, as primeiras levas de imigrantes passavam por novas dificuldades, pois, continuavam com falta de alimentos e os locais de espera para seguir às províncias, era na maioria das vezes, galpões muito simples. Escolher o destino entre as províncias do Brasil, eram o primeiro passo. Escolhida a província de Santa Catarina, precisava aguardar a embarcação que os levaria definitivamente para os portos de São Francisco, ou do Itajaí Grande. Quanto à chegada ao porto do Rio de janeiro, o relato de Gustav Stutzer imigrado em 1885. nos aproxima das primeiras impressões que os imigrantes tinham do Brasil: “Continuamos a navegar pela costa e depois de três dias chegamos ao Rio de Janeiro. O encanto fantástico deste porto é difícil de descrever, pois ele é, realmente, de uma beleza deslumbrante. Tivemos um dia inteiro para visitar a cidade e fomos ao jardim botânico. Neste passeio tivemos a oportunidade de ver o Imperador, que passou por nós em sua carruagem”. [25] Seu relato prossegue descrevendo que a viagem continuou para o Sul e que, após 40, horas aportaram em São Francisco do Sul, onde tiveram que esperar um navio costeiro que levou dois dias para chegar. Este os levou para Itajaí, porto de entrada da Colônia Blumenau, onde chegaram depois de mais dois dias de viagem. Em Itajaí, a família Stutzer ficou hospedada num hotelzinho alemão, local preparado para eles pelo então Cônsul alemão, Sr. Asseburg. No dia seguinte seguiram viagem rio acima num pequeno vapor, em direção a Blumenau.

Hugo Zoller, correspondente do Jornal Koelniche de Colônia, Alemanha, que esteve no Brasil entre 1880 e 1885 descreve sobre a pequena cidade portuária de Itajaí: “Entre os 1300 habitantes, 300 são alemães. No porto, entre os trabalhadores que carregam e descarregam os navios, encontram-se brasileiros, alemães e negros numa mistura colorida”.[26]

 

 

Imigrantes alemães desembarcando na cidade de Itajaí em 1885.

(Acervo AHJFS).

 

Subindo o Rio Itajaí-Açu rumo a Blumenau

 

 

No relato de Hugo Zoller sobre a viagem pelo Rio Itajaí-Açu e a chegada do imigrante a Blumenau, encontramos informações interessantes como: “No porto de Itajaí embarcamos no vapor ‘Progresso’  que até Blumenau leva de sete a oito horas em condições normais. (...). A terra, em ambas as margens, até os limites da Colônia é povoada, esparsamente, e pertence a alguns latifundiários (...). No momento a viagem com o Progresso é o meio mais confortável, pois as viagens em canoas a remo levam de doze a quinze horas e são um martírio. As viagens a cavalo são arriscadas e não permitem o transporte de alguma bagagem. Mas a viagem no ‘Progresso’ também tem seus problemas, ao invés de sete ou oito horas de viagem levei 22 horas, passando fome e frio. Não sei o porquê, mas achou-se por bem partir somente às 9h30; além disso, parou-se em cada lugar por 30 minutos e levou-se uma hora no caso de descarregar meia dúzia de volumes. A situação tornou-se mais misteriosa, quando, ao escurecer, entramos numa baía escura e nos foi dito que nela iríamos aguardar o nascer da lua. Mas a lua não nasceu, a parada servindo apenas para que os viajantes começassem suas bebedeiras acompanhadas de canções (...)”. [27] Outro imigrante relata que a viagem de Itajaí a Blumenau, em 1856, ainda “era feita em lanchas que levavam as mulheres, crianças e os homens responsáveis pela proteção da bagagem. Os outros iam a pé e a lentidão com que se moviam as lanchas permitia-lhes chegar quase ao mesmo tempo que seus companheiros”.[28]  

 

Subindo o Itajaí rumo á Blumenau

Pintura de Franz Richard Becker. Acervo: Kate Annemarie Winckler. In.: LIMA. Lucinéia Sanches. O Olhar no Tempo. Blumenau: Instituto Blumenau 150 Anos, 2000.

 

 

 

A chegada de novos colonizadores: História da colonização de Blumenau

 

A implantação do processo imigratório para Blumenau passou por diversas fases, que se alteraram conforme questões sociais, políticas e econômicas tanto na Europa, quanto no Brasil. Inicialmente, as leis de incentivo que se flexibilizavam, em outras épocas se tornavam mais rígidas, ou muitas vezes as mesmas leis eram inadequadas frente à ocupação da terra, desestimulando o imigrante a vir para o Brasil, por ser um de seus grandes objetivos, o acesso à propriedade da terra. Diante desta oscilação do processo imigratório, para melhor compreender a história da colonização de Blumenau, podemos dividi-la em três períodos, conforme estudioso:

 

ü                 O primeiro período vai desde 2 de setembro de 1850, data da chegada dos primeiros dezessete imigrantes, até 1860, data em que a colônia foi vendida para o Império (Colônia Particular);

ü                 O segundo vai de 1860 a 1883, ano em que se instalam o município de Blumenau, após ser emancipado em 1880 com a lei n° 840 (Colônia Imperial);

ü                 O terceiro, finalmente, de 1883 aos nossos dias, completa a história do município. [29]

 

Vapor Blumenau no porto de Blumenau no final do século XIX

Porta de entrada dos imigrantes que chegavam à região.

(Acervo AHJFS)

 

Lembramos que de Itajaí até a região da atual Blumenau, antes de 1850, já se encontravam estabelecidos, em pequenos povoados, ou espaçadamente, cerca de 700 moradores, entre caboclos ou luso-brasileiros e imigrantes alemães provenientes da primeira Colônia alemã da Província de Santa Catarina fundada em 1829, São Pedro de Alcântara.

O primeiro grupo de alemães que veio para a Colônia Blumenau, resultante do Projeto colonizador do Dr. Blumenau era composto por dezessete pessoas, trazidas para Itajaí pelo veleiro “Emma & Luise”, de propriedade da firma do armador Cristhian Mathias Schroeder de Hamburgo, na Alemanha. Muitas vezes, os imigrantes seguiam para o Sul do Brasil embarcados em pequenos barcos, como brigues* e bergatins*.  

Por volta de 1861, a população de Blumenau já chegava a 1.531 pessoas, dos quais 548 haviam chegado nesse mesmo ano. Segundo os relatos: 

 

“As linhas coloniais, com seus lotes, devidamente medidos e demarcados, estendiam-se pelo Itajaí acima, por ambas as margens e os confluentes próximos: o Velha, o Garcia, o Itoupava, etc. Já se preparavam os projetos de abertura das linhas que seguiram o curso do rio do Testo, do Fortaleza e de outros rios e ribeirões próximos. O projeto de Blumenau era grandioso”. [30]

 

[31]

Mapa de Blumenau de 1862 com os lotes demarcados, acompanhando as margens dos rios e ribeirões.

(Acervo AHJFS)

 

No quadro estatístico abaixo, temos a quantidade de imigrantes alemães que chegaram nos primeiros dez anos na Colônia Blumenau e o total de sua população.

 

Ano

Imigrantes

População

1850

17

6

1851

08

11

1852

110

69

1853

28

113

1854

146

246

1855

34

249

1856

294

592

1857

199

609

1858

82

669

1859

29

744

1860

91

947

 

 

Grande incremento à colonização local deu-se a partir de 1875, quando aportaram em Blumenau os primeiros colonos italianos. Eram, em sua maioria, provenientes da Lombardia, do Trento e Tirol, no norte da Itália. Esses colonos se estabeleceram mais para o interior da Colônia, entre as confluências do Rio dos Cedros e Benedito e deram origem as atuais cidades de Rio dos Cedros, Ascurra, Apiúna e Rodeio. A maioria dos imigrantes, italianos ao entrar no Brasil pelo Porto de Santos era encaminhado para o trabalho nas fazendas de café do interior de São Paulo, para substituírem o braço escravo. Muitos destes, vendo que ali sua situação de tornar-se um proprietário de terra livre se distanciava a cada dia, decidem migrar para o Sul na esperança de novas oportunidades.   

 

A recepção dos imigrantes na Colônia Blumenau: O barracão dos imigrantes

 

Após o imigrante chegar à Colônia, iniciava-se uma nova etapa de sua vida, cheia de privações e com muitos desafios e trabalho. Um destes primeiros desafios era suportar a situação de hospedar-se, no então, barracão dos imigrantes. Era uma “construção longa e estreita dividida em vários compartimentos, da qual as paredes externas estavam tão escorridas pela chuva e pelas enchentes que só os barrotes estavam de pé, o barro há tempo já deslizara e em tempo de chuva formava um grosso mingau no chão. As paredes internas eram feitas de ripas de uma determinada palmeira aqui chamada de palmito e amarradas com cipó (...) a um barrote enviesado, ou tinham as ripas caídas ou faltando. (...). O chão não era nem batido, nem uniforme. Pelo telhado podia-se usufruir do céu aberto, o que em tempos de chuva parecia a todos muito prático! Imagina-se ainda o esterco de alguns bois que livremente havia entrado e saído do recinto, então mais ou menos se tem diante de si o quadro do rancho dos imigrantes ou, como se expressou Schroeder – a ‘casa de recepção’.[32]   

 

Os primeiros tempos do imigrante colono na região

 

Imigrante estabelecido, na região de Blumenau, nos descreve como transcorreram os primeiros tempos como colono e as dificuldades de adaptação, devido à diferença do clima:

 

 (...). Enquanto isso tivemos que suportar todo o sofrimento no rancho dos imigrantes, já anteriormente descrito. Quem mais sofria com tudo isso era a nossa mãe, que estava adoentada e enfraquecida, porém, quando se sentia um pouco melhor precisava cuidar do marido e dos filhos. Meu pai estava com problemas nos pés e nas pernas. Nós, meninos, estávamos cobertos de bichos-de-pé. Em virtude de sua força de vontade, minha mãe conseguiu suportar essa situação, o que era praticamente impossível para uma mulher que tinha vivido na Europa, em condições sociais e econômicas totalmente opostas às daqui. A isso se somavam as preocupações diárias com o sustento, pois cada tostão do pouco dinheiro que lhes restava, precisava ser bem dividido. Isso foi muito dura para minha mãe e custaram-lhe muitas lágrimas! Tudo foi superado, porém ainda hoje em dia, ao lembrar o passado, seus olhos cansados e sinceros enchem-se de lágrimas e o seu coração generoso fica muito, muito triste! Este país generoso é bom, mas, jamais será a sua pátria.[33]

 

 

 

O trabalho do imigrante  colono transformou floresta em cidade

(Acervo AHJFS)

 

 

 

Segundo dados estatísticos, na região de Blumenau, entre os anos de 1883 a 1932, entraram 20.733 imigrantes, entre eles vieram alemães, italianos, poloneses, austríacos e outros. Houve também a chegada de 3193 pessoas vindas de outras regiões do Brasil, como também a saída de 2221 pessoas para outras regiões.

Assim, podemos notar que sempre houve intenso movimento de pessoas vindo e saindo de Blumenau. 

 

 

Migrações para Blumenau na atualidade

 

Hoje em dia, muitas pessoas continuam se dirigindo à região de Blumenau na tentativa de encontrar oportunidades de trabalho e melhores condições de vida. Este permanente fluxo de pessoas se reflete no crescimento urbano que se percebe nos diversos bairros da cidade, nas últimas décadas.

 

 

Em 2006, chegou em média, um migrante por dia `a Blumenau. De janeiro a novembro de 2007 chegaram à cidade  278 pessoas, sem emprego ou moradia. Foi no mês de Outubro de 2007 que chegou o maior número, somando 41 pessoas. A chegada de migrantes pode ser percebida, claramente, na rodoviária de Blumenau, onde todas as semanas desembarcam pessoas vinda principalmente de regiões rurais do interior do Paraná. [34]

 

As primeiras localidades que se foram  estruturando em torno do centro da cidade, mais tarde,  vieram a constituir os bairros da Fortaleza, Garcia, Itoupava e da Velha. Nestas localidades, as comunidades se organizavam em uma área principal, onde era comum estarem instalados a igreja, o cemitério, a escola e casas comerciais. Outros locais que logo tomaram características mais importantes, com a chegada de novos imigrantes, foi a margem direita, subindo o grande rio Itajaí, localidades como Badenfurt, Salto Weissbach e Warnow.  Esse processo prolongou-se por todo século XX.   

 

O crescimento populacional e a formação de novos bairros aumentou, consideravelmente, na década de 1970, conforme mapa abaixo: [35]

 

O mapa abaixo nos permite analisar a evolução urbana de Blumenau, decorrente da quantidade de pessoas que se estabeleceram no município, durante sua formação histórica. 

 

[36]

 

 


[37]

 

 

O censo de 2007 nos informa que a população de Blumenau atingia a cifra de 292. 972 habitantes.

 Para atualização desta informação consulte:  http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1
Sugestão de atividades para com os alunos

 

 

 

É a sua vez

 

 

  

                                                                                                                                 Mudança

 

 

Lá vem,

O dia da mudança.

Será que o meu quintal

Vai caber nesse caminhão?

Que alegria,

Novos sonhos, novas amizades

Será que tanta imaginação

Vai caber neste caminhão?

Que pena!

Todos os meus segredos ficarão.

Alguém os descobrirá?

Ou será que eles também

Vão caber neste caminhão?

Mudanças,

Coisas que inventaram

Para virar o mundo de cabeça para baixo

Ainda bem que com jeitinho

Tudo isso cabe

dentro do caminhão![38]

 

 

 

 

 

 

 

Sugestão de atividade (I):

·                    Localizar no mapa mundi os países de origem das pessoas que constituem a diversidade cultural do seu bairro e, depois, pinte-os.

Sugestão de atividades (II):

Com o auxílio do professor:

  • Faça o levantamento por intermédio de entrevistas: os principais grupos étnicos da sua escola.
  • Monte um painel – mural – com os dados obtidos.
  • Construa em grupo um acróstico com o nome de cada grupo étnico, prestando homenagens aos colegas da escola.

 

 

Sugestão de atividade (III)

1)      Seu bairro atrai pessoas de outras regiões por causa de alguma atividade econômica, ou outro motivo?

2)      As pessoas deixam o seu bairro por quais motivos?

 

 

 

Sugestão de Atividade (IV)

 

ü                             Elaborar um questionário – levantamento sobre a origem étnica dos alunos bem como origem dos familiares – migrantes – quantos da turma são migrantes ou filhos de migrantes.



[1] Com base no texto de CARESIA, Roberto Marcelo e Balbino Simor Rocha. História e Historiografia. Ruptura com as Formas do Passado: Entre a modernidade e a tradição. In.: Blumenau em Cadernos – Tomo XLII – n. ¾ - Março/Abril – 2001. p. 70/101.

[2] SANTOS. Silvio Coelho dos. Índios e Brancos no Sul do Brasil – A Dramática experiência dos Xokleng. Edeme. Florianópolis. 1973. Cf. CABRAL . p. 38.

[3] “Livro de Leis de Santa Catarina 1835-1840”. p.43/4. Fonte: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva- Blumenau. In.:  Guilherme. Ricardo e Maria Luiza Renaux. Relato de Pesquisa: Vida Cotidiana Blumenau Entre Império e a República (1818 –1901). FURB 1995. p.25.

[4] KOEGLER. Fritz. In: Cartas Publicadas. (prof. Ostermann). Blumenau em Cadernos Tomo XI,  nº 9, 1970. ps. 161/166; e uma carta do Dr. Fritz Müller ao Dr. Blumenau, apud Ferraz, Paulo Malta, 1948: 263/4.

[5] KLEINE, KARL. Blumenau de Ontem: experiências e recordações de um imigrante. Blumenau em Cadernos- Tomo XLII- N 5/6- maio/junho- 2001. p. 15.

 

 

[6] SCHIEFFELBEIN. Flamariom Santos. Matar Bugres: Xokleng e a Colonização do Alto Vale do Itajaí. Jurista, economista, corregedor-adjunto da Polícia Militar (SC).  (Texto datilografado - acervo do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva).

[7] O Novidades. (Editoral) 1904. Caçadas aos Bugres. Itajahy-SC, 05 de junho., séc. 1:2. In.:  SCHIEFFELBEIN. Flamariom Santos. Matar Bugres: Xokleng e a Colonização do Alto Vale do Itajaí. Jurista, economista, corregedor-adjunto da Polícia Militar (SC).  (Texto datilografado - acervo do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva).

[8] ACIB 90 anos de memória. Blumenau: Fundação Casa Dr. Blumenau. 1989. (Ano 1908).

[9] SILVA. José Ferreira da. História de Blumenau. In: BLUMENAU EM CADERNOS. Tomo XLI – n° 9/10 – Setembro/Outubro –2000. p. 56.

[10] GOULART. Maria do Carmo Ramos Krieger. Vale do índios, Vale do Imigrantes. Blumenau em Movimento. 2000. p.33. 

[11] GOULART. Op. Cit. p. 170.

[12] GAKRAN, Nanblá; Markus, Cledes et al. Nosso Idiona Reviveu. São Leopoldo/RS: Impressora Mayer Ltda.; COMIN, 1999, p. 53. In.: GOULART. Maria do Carmo Ramos Krieger. Vale do índios, Vale do Imigrantes. Blumenau em Movimento. 2000. p. 40. 

 

[13] SANTOS, ANDIARA SANTIAGO. Escravidão em Santa Catarina trabalho de graduação(datilografado). Orientadora: Sueli Petry AHJFS –TD/AH 326.81645237 e.

[14] BLUMENAU. Prefeitura Municipal. Câmara Municipal de Blumenau. Serviço de Documentação Histórica. Poder Legislativo Municipal: 117 anos de História. Org.: Vilarino Wolff. – Blumenau: Nova Letra, 2000. p. 43.

[15] Dados do IBGE referentes ao ano de 2000.

[16] BARBOSA, Rogério Andrade. Histórias Africanas para contar e recontar. Ilustrações de Graça Lima. São Paulo: Editora do Brasil, 2001. ps. 25/29.

[17] FOUQUET, Carlos. O imigrante alemão e seus descendentes no Brasil 1808 –1824-1874. São Paulo: Instituto Hans Staden; São Leopoldo: Federação dos Centros Culturais de 25 de julho. p. 97

[18] FOUQUET, Carlos. Idem,p. 228.

[19] FOUQUET, Carlos.Ibidem, p. 98/9.

[20] RICHTER, Klaus. História da Imigração alemã para o Brasil (Mimeo). 1981. p. 23. In.: Guilheme. Ricardo e Renaux. Maria Luiza. Vida Cotidiana: Blumenau entre o Império e a República 1818-1901. (Relatório de Pesquisa). IPS- MEMORVALE - FURB. 1995. ps. 5/6.  

[21] Idem. p. 32.

[22] REITZ, Raulino. Salto Biguaçu: narrativa cultural tetrarracional. Florianópolis, Lunardelli/UFSC, 1988. p. 29. In.: RENAUX. Maria. O Outro lado da História: O papel da mulher no Vale do Itajaí 1850 –1950. Blumenau. Ed. Da FURB, 1995. p. 51.

[23] Diário de Imigrante Paul Schwartzer. Terça-feira, 14 de outubro de 1862. In: Renaux. Maria Luiza. Op. Cit. p. 51.

[24] Com base na Obra de Maria Luiza Renaux. O Outro lado da História: O papel da mulher no Vale do Itajaí 1850 –1950. Blumenau. Ed. Da FURB, 1995. p. 36/37.

 

[25] STUTZER, Gustav. (Extratos de Cartas de minha esposa). O Vale do Itajaí e o Município de Blumenau. Blumenau. 1886. p. 15/16. Pasta Família Stutzer. Acervo AHJFS. In.: RENAUX. Maria Luiza. Op. Cit. p. 67.  

[26] Renaux. Maria Luiza. (1995) Op. Cit. p. 73.

[27] RENAUX. Maria L. (1995). p. 74.

[28] Idem, p. 68.

[29] SILVA. José Ferreira da. História de Blumenau. Blumenau em Cadernos. Tomo XLI – n. 9/10 – set/nov – 2000. pg. 41.

[30] Silva. José Ferreira da. História de Blumenau. Blumenau em Cadernos. Tomo XLI, no 9-10 – Setembro/Outubro. 2000. p. 54.

[31] Acervo AHJFS.

[32] RENAUX, Op. Cit. p. 69.

[33] KLEINE, KARL. Crônicas – O primeiro plantio e a construção da casa. In.: Blumenau em Cadernos – Tomo XLII –nº  3 / 4 - Março/Abril – 2001. P. 9/11

 

[34] Informação com base na reportagem de: Waltrick. Rafael. Diário de um retirante catarinense. Jornal de Santa Catarina. Sábado/Domingo 16/17 de dezembro de 2007. p. 18/19.

[35] FROTSCHER. Méri e Lea M. F. Vedana.  Viagens pela Cidade: O Transporte Coletivo em Blumenau. Florianópolis. Insular. 1999. p. 80. 

 

 

 

[36] Acervo SEPLAN.

[37] Acervo SEPLAN.

[38] Lady Monteiro. Mudança. 2008. (Poesia elaborada exclusivamente para esta obra).